segunda-feira, 3 de dezembro de 2018


Periperi


 Localizado no litoral Oeste de Salvador, Periperi é o é um bairro do subúrbio ferroviário. Seu nome é de origem indígena, pois o território era habitado pelos povos da tribo Tupinambá. A região possuía muitos Peri, planta aquática de junco, e em virtude da cultura dos Tupinambás de repetir as palavras, o local passou a ser chamado de Periperi.

Os registros históricos escritos de Periperi, tem como marco inicial a doação de uma sesmaria, feita por Tomé de Souza, em 1552, para Garcia D´Ávila, das terras conhecidas, atualmente, como Santo Antônio, Pirajá e Itapuã. Com o direito e posse dessas terras, ele se estendeu apossando-se dos demais território ao longo da costa litorânea, combatendo os índios tupinambás, criando gado e plantando cana de açúcar, nos seus engenhos.

Em meados do século XIX, era uma fazenda pertencente ao Coronel Frederico Costa, e seu desenvolvimento como bairro, teve como marco a construção da Estrada de ferro ao São Francisco, inaugurada em 1860, que possuía cerca de 13 km, estendendo-se da Calçada à Base Naval de Aratu. A partir desse fato começou a surgir os primeiros aglomerados, inicialmente por trabalhadores da ferrovia que começaram a construir casas aos arredores. Porém o crescimento populacional, ocorreu com a influência do desenvolvimento econômico da Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Entre as décadas de 1940 e 1970, ocorreram muitas mudadas na economia de Salvador. A cidade passou a ser polo de atração para várias empresas que ofereciam serviços as indústrias, assim com a instalação de complexos industriais na região, aumentou o número de moradores na região do subúrbio ferroviário.

Dentre os diversos fatores que contribuíram para o desenvolvimento econômico e populacional da região, destaca-se: A implantação da Refinaria de Mataripe e do CIA (Centro Industrial de Aratu); A construção, em 1959, de uma rodovia ligando Periperi à estrada Salvador-Feira de Santana, que facilitava o trânsito e a residência para os operários que trabalhavam nas indústrias existentes no local e nas proximidades; O funcionamento, na década de 1970, do Pólo Petroquímico de Camaçari; E a construção da Avenida Suburbana, influenciaram a migração de trabalhadores e de famílias, que buscavam empregos ou melhores condições de vidas, para a capital, indo morar no Subúrbio Ferroviário.

Um fato importante a ser destacado sobre Periperi é que o bairro ocupar uma posição estratégica, na qual lhe permitiu um grande fluxo de mercadorias e passageiros não só pelo trem como também pelo seu porto que dava acesso ao recôncavo pesqueiro interagindo com a capital.

A partir dessas mudanças econômica, o espaço urbano da cidade foi sendo remodelado. Até a década de 1960, Periperi, era uma região muito frequentada por veranistas de classe média, que buscavam descansar aproveitando da boa qualidade de vida que o bairro apresentava. Quando o bairro tornou-se uma zona residencial, os terrenos passaram a serem valorizados pelas imobiliárias, que aumentaram os preços dos terrenos, o que desencadeou o aparecimento de “invasões” e a favelização do território por aqueles que não podiam pagar. Desta forma, o crescimento e ocupação ocorreram desordenadamente e somados a ausência de intervenção governamental nos serviços básicos caracterizou o bairro como uma periferia e que foi perdendo a qualidade de vida ao tornar-se uma zona residencial cada vez mais ocupado.

Atualmente, Periperi, em relação ao subúrbio, representa uma referência em comércio e serviços na região e possui ainda hoje a maior concentração da classe média do subúrbio. Porém, em seu entorno estão as marcas da expansão urbana desordenada materializada nas ocupações.

De acordo com o Censo Demográfico do IBGE – 2010, Periperi possuía uma população de aproximadamente 49.879, sendo o então segundo bairro mais populoso do subúrbio e ilhas.


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